O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) realizou comício na noite de quarta-feira (14), no Largo Glênio Peres, no Centro Histórico de Porto Alegre. O espaço, tradicionalmente associado a mobilizações de esquerda, foi ocupado por apoiadores do bolsonarismo.
Em discurso, o candidato atacou opositores, defendeu o combate ao narcotráfico, a redução da maioridade penal, mas deixou de mencionar Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, do fim da escala 6×1. A medida foi aprovada no Senado por 75 votos a favor e um contrário. O voto contra a redução da jornada dos trabalhadores foi justamente de um gaúcho, o senador Hamilton Mourão (Republicanos), que foi vice-presidente da República no mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022).
O ato em Porto Alegre reuniu algumas lideranças do PL e de partidos aliados, entre eles o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), o governador eleito do Paraná, Sérgio Moro (PL), além do governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), e do senador gaúcho eleito Marcel van Hattem (Novo).
A mobilização ocorreu no mesmo dia em que o Senado aprovou a PEC que extingue a escala 6×1. Dias antes, Flávio classificava a proposta como “oportunista” e defendia que o trabalhador deveria negociar diretamente sua jornada com o patrão, em vez de ter a redução garantida por lei.
Antes de recuar e anunciar, na terça-feira (13), que votaria a favor da medida, o senador defendia que o trabalhador deveria ter liberdade para montar sua própria jornada de trabalho. A mudança de posição, ocorrida a poucos dias do segundo turno, foi interpretada como uma manobra para evitar o desgaste eleitoral de votar contra uma pauta popular.