Em 1º de julho de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ) enviou ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) a carta USTR‑2026‑0331 pedindo a suspensão da tarifa de 25 % sobre produtos brasileiros e a abertura de negociação bilateral em seis áreas.
Na carta, escrita em inglês e apresentada em “capacidade pessoal e oficial”, o senador afirma ter se reunido com Donald Trump, o vice‑presidente Mike Vance e o secretário de Comércio Rafael Rubio para argumentar que a tarifa não atende aos interesses dos EUA.
O documento acusa o governo Lula e o Judiciário brasileiro de causar o conflito comercial, afirmando que a conduta “não representa o povo ou o setor produtivo”.
Flávio Bolsonaro sustenta que a manutenção da tarifa “recompensaria os infratores” e que a retaliação comercial poderia fortalecer politicamente o presidente Lula.
Flávio Bolsonaro entregou ao governo de Donald Trump uma peça política contra o Brasil em documento enviado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, a USTR, no caso USTR-2026-0331. Na carta, protocolada em 1º de julho de 2026, o senador do PL-RJ e pré-candidato à Presidência pede que Washington suspenda a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e abra uma negociação bilateral envolvendo seis áreas da economia e da política brasileira.
O documento, escrito em inglês e submetido em capacidade “pessoal e oficial” como senador brasileiro, é a base da tradução literal da íntegra da carta publicada pela Fórum. A peça diz que Flávio se reuniu pessoalmente com Trump, o vice-presidente Vance e o secretário Rubio, e afirma que, nesses encontros, transmitiu que tarifas contra o Brasil “não atendem aos melhores interesses dos Estados Unidos”.
Apesar de pedir a suspensão do tarifaço, Flávio Bolsonaro estrutura a carta como uma acusação contra o governo Lula, o Judiciário brasileiro e políticas públicas do Brasil. O texto diz que a conduta que levou ao conflito com Washington “não é a conduta do povo brasileiro, do setor produtivo brasileiro ou da oposição brasileira”, mas do “governo em exercício” e de um Judiciário que, segundo ele, comete excessos.
Flávio Bolsonaro acusa Brasil diante dos EUA
Na carta, Flávio Bolsonaro afirma que as tarifas propostas por Trump poderiam “recompensar os próprios infratores que pretendem punir”. O argumento central é que a retaliação comercial fortaleceria Lula eleitoralmente, porque permitiria ao governo brasileiro converter o conflito com os Estados Unidos em ativo político interno.
Para sustentar esse ponto, o documento cita uma pesquisa Quaest/Genial de junho de 2026 que, segundo a própria carta, colocaria Lula com 39% contra 29% de Flávio Bolsonaro em uma disputa de primeiro turno. O senador tenta transformar o dado, desfavorável a ele, em prova de que a pressão de Washington estaria ajudando o atual governo brasileiro.
A peça também cita gráficos de pesquisas AtlasIntel/Bloomberg, Paraná Pesquisas e Genial/Quaest para defender que o tarifaço anterior, de 2025, teria produzido efeito eleitoral favorável a Lula. Segundo o documento, a repetição da medida em 2026 poderia gerar novo “efeito inverso”.
Carta de Flávio Bolsonaro mira Lula, STF e Pix
O documento lista cinco frentes de acusação contra o Brasil: defesa da desdolarização, hostilidade pública aos Estados Unidos, escalada judicial contra plataformas digitais, recusa do governo brasileiro em negociar e uso eleitoral da tensão comercial com Washington.
A carta também ataca decisões judiciais brasileiras envolvendo plataformas digitais dos Estados Unidos. Flávio afirma aceitar o “núcleo factual” da acusação feita pelo governo Trump sobre ordens secretas de remoção de conteúdo, suspensão de perfis, multas diárias, bloqueio de ativos e ameaças contra empresas de redes sociais.
O senador, no entanto, diz que uma tarifa geral de 25% contra a economia brasileira seria uma medida “desalinhada” em relação aos responsáveis pelas decisões. Em vez disso, o texto afirma que os Estados Unidos já dispõem de instrumentos mais direcionados, como restrições de visto e medidas sob a Lei Magnitsky Global. A carta ressalva que Flávio não pede formalmente o uso dessas ferramentas, mas as apresenta como instrumentos mais eficazes contra “atores identificáveis”.
No trecho sobre o Pix, Flávio Bolsonaro faz uma defesa do sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central e afirma que ele é uma das marcas do governo Jair Bolsonaro. O senador contesta a tese de que o Pix prejudicaria empresas dos Estados Unidos e sustenta que o sistema é uma infraestrutura pública soberana, não uma empresa comercial concorrente.
O que Flávio Bolsonaro pede a Trump
O pedido principal de Flávio Bolsonaro é que a USTR suspenda a ação proposta e abra imediatamente um mecanismo de negociação bilateral entre Brasil e Estados Unidos. A negociação, segundo o documento, deveria cobrir as seis áreas citadas por Washington na investigação da Seção 301.
- comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;
- tarifas preferenciais consideradas injustas;
- aplicação de normas anticorrupção;
- proteção de propriedade intelectual;
- acesso ao mercado de etanol;
- desmatamento ilegal.
A carta também prevê uma espécie de mecanismo de retorno automático das sanções caso a negociação fracasse. Como pedido subsidiário, se Trump mantiver a tarifa, Flávio sugere uma lista de exclusões prioritárias para determinados produtos brasileiros.
Na prática, a peça tenta reposicionar Flávio Bolsonaro como interlocutor preferencial de Washington. O senador afirma que a distância entre a posição da USTR e a de um eventual governo brasileiro “reformista” seria menor do que a distância entre os Estados Unidos e o governo Lula.
Tradução literal da carta de Flávio Bolsonaro
A íntegra traduzida mostra como Flávio Bolsonaro apresentou aos Estados Unidos uma narrativa de responsabilização do próprio país. Ao mesmo tempo em que diz ser contra tarifas sobre produtos brasileiros, o senador oferece a Washington um roteiro de pressão política contra o governo Lula, contra decisões do Judiciário e contra áreas sensíveis da política econômica brasileira.
A íntegra da tradução literal da carta pode ser lida neste link: Flávio Bolsonaro entrega Brasil a Trump: tradução literal do documento enviado à USTR.
A movimentação se soma à ofensiva internacional do bolsonarismo junto ao governo Trump, que a Fórum vem acompanhando desde o avanço da chamada diplomacia paralela dos Bolsonaro nos Estados Unidos.