A Fórum conseguiu acompanhar por dentro a convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Um jornalista da nossa equipe esteve infiltrado no evento e registrou cenas que ajudam a entender o momento vivido pelo bolsonarismo: um ambiente de artificialidade política, esvaziamento e demonstrações de força que parecem esconder fragilidades.
A primeira imagem que chama atenção é quase caricata. Como Michelle Bolsonaro não compareceu, sua ausência foi preenchida por um totem colocado ao lado de outro com a imagem de Flávio. A tentativa de transmitir unidade acabou reforçando justamente o contrário: a crise interna segue presente e precisou ser disfarçada cenograficamente.
Outro detalhe revelador foi a quantidade de bandeiras dos Estados Unidos espalhadas pelo local. Mais uma vez, a estética do evento privilegiou o viralatismo numa convenção que pretendia lançar um candidato à Presidência da República do Brasil.
Também chamou atenção o comportamento do público. Durante o discurso de Flávio Bolsonaro, parte da claque deixou o evento. Sem contar no constrangimento do vídeo de Nikolas Ferreira afirmando que Jair Bolsonaro estaria preso injustamente, “porque não fez rachadinha”, numa indireta a Flávio.
Como se não bastasse, a convenção contou com participações de lideranças internacionais da extrema direita, entre elas Javier Milei e Benjamin Netanyahu. O encontro reforçou o alinhamento internacional do bolsonarismo e ampliou o tom de confronto político adotado no evento.