A tentativa de Valdemar Costa Neto de justificar sua atuação na distribuição de emendas parlamentares abriu uma nova frente de desgaste para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Ao afirmar que presidentes de outros partidos também interferem na destinação dos recursos, o dirigente do PL levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a colocar as cúpulas de 21 siglas sob escrutínio e ampliou a resistência do Centrão a uma aliança com o senador.
A decisão do ministro Flávio Dino foi mal recebida entre dirigentes partidários. Nos bastidores, a avaliação é que Valdemar, ao tentar normalizar sua conduta, acabou envolvendo líderes que não estavam diretamente ligados ao caso e agora terão de prestar esclarecimentos formais ao Supremo.
Dino determinou que os presidentes dos partidos informem, em dez dias úteis, se controlam cotas ou outros mecanismos de distribuição de emendas, além de detalhar quem autoriza o uso dos recursos, qual a base jurídica da prática e como são definidos os beneficiários. O ministro ressaltou que a proposição e a deliberação sobre emendas são prerrogativas de deputados e senadores e indicou que, se a declaração de Valdemar for verdadeira, o STF pode estar diante de uma modalidade informal de controle desses recursos.
Embora não haja acusação generalizada de ilegalidade, o despacho obriga as legendas a se posicionarem sobre um tema sensível. No Centrão, o incômodo é evidente. Dirigentes de partidos como PP, União Brasil, Republicanos, PSD e MDB terão de esclarecer seu grau de influência na distribuição das emendas, sob risco de ver suas respostas confrontadas com documentos e registros já reunidos em investigações.
Segundo relatos, líderes do bloco atribuem a Valdemar a responsabilidade por transformar um problema restrito ao PL em uma questão institucional mais ampla. O episódio também reforçou dúvidas sobre a capacidade política da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, já vista por aliados potenciais como marcada por crises recorrentes.