O deputado italiano Angelo Bonelli (Europa Verde) declarou que a decisão da Corte de Cassação, em 1 de julho, não anulou o pedido de extradição da ex‑deputada brasileira Carla Zambelli ao Brasil.
A Corte de Cassação revogou apenas a decisão da Corte de Apelação de Roma que havia autorizado a extradição, enviando o caso de volta ao tribunal de Roma para novo julgamento de documentos.
A Advocacia‑Geral da União informou que o processo continua aberto e ainda pode culminar em extradição após a nova análise judicial.
O Supremo Tribunal Federal deverá se pronunciar novamente sobre a extradição assim que o novo julgamento italiano for concluído.
O deputado italiano Angelo Bonelli, do partido Europa Verde, que teve papel direto na localização e na prisão da ex-deputada brasileira Carla Zambelli em Roma, afirmou em declaração exclusiva à Fórum que a decisão da Justiça italiana desta quarta-feira (1º)não anulou o pedido de extradição feito pelo Brasil.
Segundo ele, o entendimento divulgado inicialmente como uma “anulação” se refere apenas à decisão anterior da Corte de Apelação de Roma — e não ao mérito do pedido brasileiro de extradição.
“O Tribunal de Cassação não anulou a extradição de Carla Zambelli e devolveu o caso ao Tribunal de Roma para um novo julgamento, a fim de melhor avaliar alguns documentos e, consequentemente, algumas questões específicas”, afirmou Bonelli.
“A notícia é que a extradição não foi anulada, mas sim haverá um novo julgamento para melhor verificar alguns documentos que ela presumivelmente terá que apresentar às autoridades brasileiras, e nesse momento o Supremo Tribunal Federal se pronunciará novamente sobre a extradição.”
Decisão não encerra o pedido do Brasil de extradição de Zambelli
A Corte de Cassação da Itália, instância máxima do Judiciário do país, anulou a decisão da Corte de Apelação de Roma que havia autorizado a extradição de Zambelli ao Brasil. Com isso, o processo volta à fase de reanálise em um novo julgamento.
Na prática, a decisão não representa uma negativa definitiva ao pedido brasileiro, nem uma análise do mérito das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O que foi apontado pelo tribunal italiano são possíveis vícios processuais na decisão anterior, o que obriga a retomada da análise em primeira instância revisional.
Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), o caso continua aberto e ainda pode resultar em extradição no futuro, dependendo do novo julgamento na Corte de Apelação de Roma.
Caso retorna à Corte de Apelação e segue sem decisão final
Com a determinação da Cassação, o processo volta ao Tribunal de Roma, que deverá realizar um novo julgamento com análise mais aprofundada de documentos e eventuais alegações das partes envolvidas. Não há, até o momento, data definida para essa nova fase.
Na avaliação de Bonelli, esse retorno à instância anterior não representa uma derrota definitiva para o pedido brasileiro, mas sim uma etapa regular de revisão dentro do sistema judicial italiano.
Ele reforça ainda que o caso pode voltar a ser analisado pelas instâncias superiores, a depender do resultado do novo julgamento, mantendo aberta a possibilidade de futuras decisões no Supremo Tribunal de Cassação italiano.
Condenações no STF e fuga de Zambelli
O pedido de extradição apresentado pelo Brasil está fundamentado em duas condenações da ex-deputada federal Carla Zambelli no Supremo Tribunal Federal (STF).
A primeira diz respeito ao episódio em que ela sacou uma arma e perseguiu um homem nas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022, pelo qual foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal.
A segunda envolve a invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, caso no qual foi condenada a 10 anos de prisão, segundo as decisões judiciais brasileiras.
Após as condenações, Zambelli deixou o país e passou a ser considerada foragida pela Justiça brasileira. Seu paradeiro atual não é oficialmente confirmado pelas autoridades.
Prisão na Itália, soltura e reviravoltas no processo
Zambelli chegou a ficar presa na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, após ser localizada em território italiano no dia 29 de julho de 2025 Ela permaneceu detida por cerca de dez meses e foi libertada em 22 de maio de 2026, após decisões anteriores da Justiça italiana que já haviam interrompido o avanço do pedido de extradição.
Desde então, o processo passou por diferentes fases de reavaliação, com decisões divergentes entre instâncias judiciais italianas, o que mantém o caso em constante reabertura.
Papel de Bonelli na localização da ex-deputada
Além de acompanhar o caso no Parlamento italiano, Angelo Bonelli teve atuação direta na localização de Carla Zambelli em Roma. Ele próprio já havia relatado que repassou às autoridades o endereço onde a ex-deputada estava escondida, o que levou à ação policial.
Segundo seu relato, a informação foi determinante para a operação que resultou na detenção:
“Liguei para a Polícia Nacional para informar o endereço. Duas horas e meia depois, confirmaram que ela estava no apartamento e aplicaram o pedido da Interpol.”
A partir desse ponto, houve uma operação conjunta entre autoridades italianas, a Polícia Federal brasileira e a Interpol.
Processo segue aberto na Itália
Com a nova decisão da Corte de Cassação, o caso volta à instância de origem para reavaliação, sem que tenha havido julgamento definitivo sobre o pedido de extradição.
Na avaliação de Bonelli, e também segundo autoridades brasileiras, o processo permanece em aberto e poderá avançar novamente após o novo julgamento em Roma, mantendo a possibilidade de extradição de Carla Zambelli ao Brasil.