O Superior Tribunal Militar (STM) deve deixar para depois das eleições presidenciais o julgamento que pode resultar na expulsão de Jair Bolsonaro das Forças Armadas. A análise também envolve Walter Braga Netto, Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, todos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na ação penal da trama golpista.
Integrantes do STM avaliam que a Corte deve evitar que o resultado do julgamento “possa ser explorado politicamente” no período eleitoral. Nos bastidores do tribunal, já existe um acordo tácito e informal para levar o caso ao plenário apenas depois do pleito.
O andamento processual favorece o adiamento. As ações ainda estão em fase de diligências e, depois da conclusão dos trabalhos de cada ministro relator, precisam seguir para os respectivos revisores antes de chegar ao plenário do STM.
O cálculo dos ministros também considera a disputa presidencial. Uma eventual vitória de um candidato da direita poderia impulsionar uma anistia a condenados ligados aos atos golpistas, tema que deve aparecer na campanha eleitoral e que teria reflexos sobre os processos na Justiça Militar.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, defende a anistia como forma de “zerar o jogo de verdade” no país. Ele já afirmou que, se eleito, “todas as pessoas que foram perseguidas vão subir a rampa com a gente”, em referência à posse no Palácio do Planalto.