
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, participa nesta quarta-feira (1º/7), em Brasília, de um encontro com lideranças femininas conservadoras sem garantia da presença de Michelle Bolsonaro (PL), sua madrasta e ex-primeira-dama. A agenda ocorre em meio ao desgaste público entre os dois e integra a tentativa da pré-campanha de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino.
O evento será realizado em área nobre da capital federal e faz parte da estratégia de aliados do senador para melhorar seu desempenho entre mulheres e evangélicos, dois segmentos tratados como prioridade na pré-campanha. A reunião deve discutir propostas voltadas ao público feminino e sustentar o discurso de que a chapa presidencial terá uma mulher como candidata a vice.
Entre os nomes cotados para a vice estão a ex-presidente da Caixa Econômica Daniella Marques (Republicanos) e a deputada Julia Zanatta (PL-SC), que devem participar da agenda. Aliados também discutiram nos últimos meses os nomes das parlamentares Tereza Cristina (PP-MS), Clarissa Tércio (PP-PE) e Bia Kicis (PL-DF), segundo interlocutores da campanha.
Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que a definição da vice ganhou urgência depois da crise com Michelle. A expectativa entre interlocutores da pré-campanha é que a composição da chapa seja anunciada nas próximas semanas.
Michelle mantém distância e deixa comando do PL Mulher
Michelle não deve comparecer ao encontro. Segundo aliados ouvidos pelo Metrópoles, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentou convencê-la a participar durante reunião realizada na terça-feira (30/6), na sede do partido, mas a ex-primeira-dama indicou que prefere manter distância da agenda organizada pela pré-campanha do enteado.
A reunião com Valdemar também marcou a saída de Michelle da presidência nacional do PL Mulher. Em nota divulgada após o encontro, ela afirmou que tomou a decisão para se dedicar “integralmente aos cuidados para com o meu marido e minha filha”, Laura.
Aliados relatam que Michelle chegou a demonstrar que não gostaria de continuar na política e que poderia abandonar uma pré-candidatura ao Senado. Em conversas com pessoas próximas e com Valdemar, ela indicou que levará as manifestações em conta e tomará uma decisão no futuro.
A crise entre Michelle e Flávio veio a público na semana passada, quando a ex-primeira-dama divulgou vídeos nas redes sociais dizendo ter sido “humilhada”, “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado. Ela atribuiu o desgaste a divergências sobre a estratégia do PL no Ceará, especialmente em relação à aproximação do partido com Ciro Gomes (PSDB), e afirmou que passou a receber ataques de integrantes do próprio campo bolsonarista.
O atrito acumulou episódios desde novembro de 2025, quando Michelle criticou o PL do Ceará pela aproximação com Ciro. Em dezembro, Flávio disse que a madrasta “atropelou o próprio presidente Bolsonaro” e classificou a atitude dela como “autoritária e constrangedora”; em fevereiro de 2026, Eduardo Bolsonaro criticou a falta de apoio de Michelle a Flávio; em março, Michelle e Carlos Bolsonaro entraram em embate por palanque em Santa Catarina.
Integrantes da campanha de Flávio avaliam que o episódio interrompeu um esforço para reposicionar a imagem do senador, que já tentava superar o desgaste provocado pela divulgação, em maio, de áudios e mensagens em que ele aparecia pedindo recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme em homenagem ao pai. Apesar da crise familiar, aliados dizem que o conflito com Michelle não provocou impacto significativo nas pesquisas de intenção de voto e defendem que Flávio evite novos confrontos públicos enquanto acelera a escolha de uma mulher para a vice.