
Ana Cristina Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, teve R$ 227 mil bloqueados pela Justiça Eleitoral para devolver dinheiro público usado na campanha de 2022, quando disputou uma vaga de deputada distrital no Distrito Federal.
A ex-candidata é mãe do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC) e concorreu à Câmara Legislativa do Distrito Federal com o nome de urna Cristina Bolsonaro. O bloqueio ocorreu porque ela não pagou, no prazo determinado, o valor que a Justiça mandou ressarcir após a rejeição das contas eleitorais.
O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal rejeitou a prestação de contas por unanimidade, seguindo parecer do Ministério Público Eleitoral. Relator do caso, o desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega afirmou no julgamento que as falhas “permeiam praticamente toda a gama de gastos de campanha”.
A Justiça Eleitoral apontou problemas na comprovação de despesas com militância, mobilização de rua, alimentação, combustível, criação de páginas na internet, impulsionamento de conteúdo, locação de bens e contratação de serviços de terceiros. O voto também registrou que Ana Cristina não apresentou justificativas, esclarecimentos ou documentos capazes de sanar as irregularidades indicadas pela área técnica.

Cobrança pode atingir contas, veículos e imóveis
Se o saldo bancário de Ana Cristina Valle não for suficiente para cobrir os R$ 227 mil, a cobrança poderá avançar sobre veículos e imóveis registrados em nome da ex-candidata.
A decisão trata especificamente da campanha de 2022 e da devolução de recursos do fundo eleitoral cuja aplicação regular não foi comprovada. O bloqueio não representa julgamento sobre o mérito das investigações envolvendo as chamadas rachadinhas.
Histórico envolve gabinetes ligados ao clã Bolsonaro
Antes da cobrança eleitoral, Ana Cristina Valle já havia aparecido em apurações sobre rachadinhas, esquema de devolução ilegal de parte dos salários de assessores em gabinetes parlamentares.
Ela foi chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro entre 2001 e 2008. Familiares de Ana Cristina também ocuparam cargos em estruturas ligadas à família Bolsonaro, e a candidatura dela em 2022 consta no sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do TSE.