A ex-juíza bolsonarista Ludmila Lins Grilo afirmou que a carta divulgada por Jair Bolsonaro, na qual o ex-presidente apresenta Flávio Bolsonaro como seu porta-voz e pré-candidato à Presidência da República, representa uma escolha clara na disputa interna do bolsonarismo.
Segundo ela, ao não mencionar Michelle, o condenado sinalizou apoio ao filho e deixou de lado a ex-primeira-dama.
“Ao apoiar Flávio como seu porta-voz e pré-candidato, sem fazer qualquer menção à mulher Michelle, Jair Bolsonaro, ao meu ver, tomou partido na disputa interna, mesmo disfarçando aquilo como um apelo à unidade”, declarou.
Na avaliação de Ludmila, Bolsonaro possui hoje apenas dois ativos políticos: seu nome e a fidelidade de seu eleitorado. “Esse capital ele pode tentar transferir, e a carta mostra para quem: para Flávio, não para Michelle”, afirmou.
A ex-magistrada, porém, considera que a iniciativa dificilmente resolverá a crise entre diferentes grupos da seita. Segundo ela, Michelle Bolsonaro possui um capital eleitoral próprio, especialmente entre mulheres e evangélicos, justamente onde Flávio teria mais dificuldades.