Um relatório do Laboratório Interdisciplinar de Inteligência Artificial para Métodos, Democracia e Sociedade (Labiia Lab) identificou que seis de oito incidentes analisados em plataformas digitais tiveram efeitos identificáveis em prejuízo à campanha de Lula ou a conteúdos críticos a Flávio Bolsonaro. Os autores ressaltam que os registros públicos não comprovam interferência deliberada das empresas na eleição.
Assinado por Ana Carolina Santana, Stephanie Jorge e Rafael Cardoso Sampaio, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e coordenador do laboratório, o estudo reuniu 856 notícias de 291 veículos, publicadas entre 16 de agosto e 14 de outubro. Desse conjunto, selecionou 101 reportagens sobre 16 casos, dos quais destacou oito incidentes documentados ou observados em testes comparativos. A busca e a classificação das notícias tiveram apoio de inteligência artificial, com revisão dos autores.
A Meta apareceu nos títulos de 74 das 101 reportagens selecionadas. Entre os episódios estão o bloqueio indevido da conta de anúncios da campanha de Lula, revertido em pouco mais de uma hora, e a remoção do perfil “Revelando Brasil”, que publicou um vídeo de Fábio Porchat sobre as relações de Flávio Bolsonaro com o Banco Master. A empresa reconheceu o erro e restaurou o perfil. O relatório também cita restrições ao Pragmatismo Político, mas ressalva que não ficou esclarecido se partiram da plataforma ou de ordem judicial.
Os testes com inteligência artificial exigem cuidados adicionais, segundo os pesquisadores. A Meta AI no WhatsApp recusou gerar uma imagem com “Lula 13” e aceitou “Flávio 22”, mas também recusou o pedido com o nome completo, “Flávio Bolsonaro 22”. Para os autores, esse resultado é compatível com um filtro para nomes de políticos conhecidos e não permite atribuir a diferença à preferência partidária.
No Grok, da xAI, comandos com “LULA 13” e “LULA PRESIDENTE” apresentaram falhas, enquanto pedidos relacionados a Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Donald Trump e Javier Milei foram aceitos. O relatório considera esse contraste mais informativo, mas destaca que houve poucas tentativas, em um teste jornalístico sem reprodução sistemática.