O novo escândalo envolvendo o presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, que teve até mais de R$ 119 milhões em bens bloqueados pela Justiça nesta sexta-feira (10) explicita que a constante declaração do clã Bolsonaro de que é contra corrupção não se sustenta. Essa é a opinião do advogado e cientista político Jorge Folena, que conversou com o Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Para o especialista, as implicações envolvendo o presidente do partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e do atual pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), “é uma coisa gravíssima, porque é desvio de verba orçamentária por parte de quem não é parlamentar”.
“Ou seja, é algo inusitado. Já há o questionamento por parte dos deputados e senadores que fazem o mau emprego das verbas orçamentárias e agora estamos tendo um fato pitoresco que é o presidente de um partido que não é deputado, não é senador, desviando verba orçamentária para ele. É a verdadeira falência desse modelo introduzido pelas emendas impositivas em 2015, liderado pelo ex-deputado Eduardo Cunha”, defende.
Nesta sexta-feira, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de bens de Costa Neto, após identificar indícios de que ele teria comandado, mesmo sem exercer mandato, o direcionamento de emendas parlamentares por meio de uma estrutura paralela instalada na Câmara dos Deputados.
O episódio é mais um elemento que atinge em cheio o PL, principal representante do bolsonarismo, e se soma ao escândalo de Flávio Bolsonaro envolvido com o Banco Master, e a crise deflagrada pela ex-primeira dama Michelle Bolsonaro.