A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impedir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o pai por 90 dias reabriu no PL a discussão sobre o papel de Michelle Bolsonaro na campanha presidencial.
Aliados da ex-primeira-dama avaliam que ela pode ganhar influência por manter acesso direto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Interlocutores da campanha de Flávio defendem outra leitura: esperam que Michelle se engaje mais adiante e sustentam uma nova tentativa de reaproximação entre os dois.
O debate ganhou força porque o senador era tratado como o principal elo entre Bolsonaro e a pré-campanha antes da decisão judicial. Moraes entendeu que Flávio usou o direito de visita para obter uma carta que teria como finalidade a divulgação nas redes sociais.
Para o ministro, a medida poderia burlar a proibição imposta a Bolsonaro de usar plataformas digitais, direta ou indiretamente. O ministro também determinou que a defesa esclareça se Bolsonaro sabia que o texto seria publicado.
Moraes encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual propaganda eleitoral antecipada. Até a ordem do STF, Flávio visitava o pai sempre que estava em Brasília, na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, no Solar de Brasília.