A Associação Movimento Brasil Laico apresentou, nesta sexta-feira (9), uma representação à Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP) solicitando a investigação de lideranças da Assembleia de Deus e de candidatos que teriam sido beneficiados pelo uso de estruturas religiosas nas eleições de 2026. A entidade pede que, caso sejam comprovadas irregularidades, sejam adotadas medidas para cassação de mandatos e declaração de inelegibilidade por oito anos dos envolvidos.
A denúncia foi motivada por uma declaração do pastor José Wellington Costa Júnior, da Assembleia de Deus Ministério do Belém, durante um culto realizado no dia seguinte ao primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.
“Andaram dizendo por aí que iam ensinar o Belém a fazer política, mas ainda bem que nós não aprendemos com eles, porque nós elegemos, eles não”, afirmou o religioso, segundo reportagem do UOL citada na representação.
Para o Movimento Brasil Laico, a declaração constitui um indício de que a estrutura da igreja teria sido utilizada para impulsionar candidaturas. A entidade sustenta que a atuação poderia configurar propaganda eleitoral irregular em templos, abuso de poder econômico e recebimento de doações de fontes proibidas pela legislação.
O documento menciona políticos ligados a duas vertentes da Assembleia de Deus: o Ministério do Belém e o Ministério de Madureira, também conhecido como Assembleia de Deus do Brás.