Uma postagem do jogador Richarlison reacendeu nesta quarta-feira 1º uma disputa judicial iniciada há quatro anos em torno de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Ao comentar um vídeo sobre o caso, o atacante afirmou ter gasto “em torno de 10 milhões de reais” no imóvel e disse que “simplesmente me tomaram”; em seguida, marcou o senador Flávio Bolsonaro nas redes.
Ao marcar Flávio e dizer que lhe “tomaram” a casa, o atacante acionou uma avalanche de críticas ao senador e à família Bolsonaro nas redes sociais.
Formalmente, contudo, a disputa judicial não opõe Richarlison a Flávio. O litígio envolve, de um lado, a Sport 70, empresa ligada ao jogador e a seu então empresário Renato Rocha Velasco, e, de outro, a WT Administração, empresa do advogado Willer Tomaz — amigo de Flávio Bolsonaro.
O caso veio a público em setembro de 2022, em reportagem do Metrópoles assinada pelo colunista Guilherme Amado. O texto detalha o as visitas de Tomaz e do senador ao imóvel. Flávio teria visitado a casa em julho de 2020, antes de ela ser negociada com a empresa de Richarlison. Meses depois, em janeiro de 2021, teria voltado ao local acompanhado de Tomaz, que demonstrou interesse no imóvel, segundo o portal, após Flávio ‘se encantar’ com a casa.

Postagem do jogador Richarlison no Instagram – Reprodução.
A controvérsia decorre da cadeia de posse da área. Como o terreno está em uma ilha – e portanto, em área da União – a discussão envolve registros antigos de ocupação, cessões de direitos e a regularização perante a Secretaria de Patrimônio da União. A empresa de Richarlison sustenta ter adquirido o imóvel de quem o ocupava; Tomaz afirma que sua empresa assumiu direitos ligados à antiga detentora da posse, a M Locadora, após quitar pendências fiscais e administrativas.
Em 2022, decisões liminares transferiram a posse da mansão para Tomaz. A defesa de Richarlison arrolou Flávio como testemunha para reforçar que os ocupantes anteriores não eram invasores.
O senador afirmou, à época, que não tinha relação com o imóvel ou com a disputa e que sua ligação com Tomaz era apenas de amizade. Mais recentemente, não comentou o caso.
Em junho de 2025, o Superior Tribunal de Justiça rejeitou um recurso do empresário do jogador e manteve o registro de ocupação em favor de Tomaz. A disputa, porém, acumulou ações paralelas: em agosto daquele ano, a empresa de Richarlison ainda figurava como apelante em um processo no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.