O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chamou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de “pau-mandado do Lula” durante uma transmissão ao vivo em seu canal no YouTube na quinta-feira (23), declarando que não aceitará a segurança da corporação em sua pré-campanha presidencial. O ataque ocorre enquanto a PF, em inquérito autorizado pelo STF, investiga se os R$ 61 milhões transferidos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse tiveram contrapartida em emendas parlamentares do próprio senador.
Na live desta quinta-feira, Flávio Bolsonaro disparou: “O que aconteceu a partir do governo Lula é algo nunca antes visto na história do Brasil, começando pelo chefe da Polícia Federal, alguém que está ali, pau-mandado do Lula. Claramente não deixa que a Polícia Federal exerça a sua autonomia.”
A recusa à segurança da PF havia sido anunciada no domingo anterior (19), em publicação na rede social X. Flávio declarou que manterá apenas a equipe da Polícia do Senado, responsável por sua proteção desde o início do mandato. “Não confio no atual chefe da PF. Não vou correr o risco de ele próprio infiltrar pessoas na minha campanha”, disse. A assessoria do senador confirmou que a segurança permanecerá sob responsabilidade exclusiva da Polícia do Senado ao longo de 2026.
“Não sou investigado em absolutamente nada. É só a imprensa me julgando e me condenando todos os dias, 24 horas por dia”, declarou. A afirmação de que não é investigado “em absolutamente nada” contrasta diretamente com o avanço do inquérito federal descrito a seguir.
A Polícia Federal está cruzando os R$ 61 milhões transferidos por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ao filme Dark Horse, projeto cinematográfico sobre a vida de Jair Bolsonaro, com as emendas parlamentares do senador Flávio Bolsonaro. O inquérito, autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, busca apurar se os aportes milionários ao projeto tiveram contrapartida em atos políticos e beneficiaram interesses do Banco Master. A apuração unifica documentos, áudios e contratos revelados em reportagens do Intercept Brasil e da Agência Pública.