O presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, admitiu o plano para tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023, mas procurou minimizar o episódio ao dizer que o planejamento não foi bem sucedido. “Tudo bem, discutiram de dar o golpe, mas não deram o golpe, e daí?”, declarou em entrevista ao programa “Timeline”, da Rádio Gaúcha. Além disso, reforçou que o primeiro ato de Flávio Bolsonaro como presidente da República, caso seja eleito, será libertar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista.
Questionado sobre a possibilidade de tentativa de golpe em caso de derrota, Costa Neto deu de ombros e disse: “Sei lá”.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Rudá Ricci avalia que as declarações de Costa Neto são esperadas, pois “quem promove e se envolve com golpes obviamente vai defender seus iguais”, e que não há surpresas a respeito das intenções do Congresso eleito no último domingo (4). “A gente vai ter as prisões, as celas abertas. Eles estão dizendo que vão abrir… 49 senadores eleitos fizeram ataques a Alexandre de Moraes e saíram na defesa dos que ameaçaram a democracia brasileira”, afirma. “E Valdemar, a gente já conhece: vai de acordo com a música que toca”, reforça.
Flávio Bolsonaro recebeu, ao longo da semana, apoio dos ex-presidenciáveis Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (MDB). Já Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) mantiveram, até o momento, a neutralidade. Para Ricci, essa movimentação é irrelevante. “Os que declararam voto não têm importância nenhuma. Os partidos até podem ter, mas também depende”, afirma.
Além disso, o cientista político acredita que a migração de votos desses candidatos para Flávio, em sua maioria, já aconteceu e aponta a pesquisa divulgada nesta quinta-feira (8), que mostra vantagem do senador sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de 6 pontos percentuais. “Isso não representa o apoio que ele está recebendo. Vamos lembrar que em 2014 isso aconteceu com Aécio Neves e ele perdeu a eleição. Não estou dizendo que Lula vai virar, não. Mas estou dizendo que, na prática, esses apoios não têm muito significado, é mais marketing”, pondera.