Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo já sabiam que o governo Donald Trump revogaria o visto de Maria Luiza Ribeiro Viotti, embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, antes do anúncio público da medida. Dias antes da retaliação, os dois aliados do clã Bolsonaro estiveram em Washington, onde mantêm interlocução com integrantes da administração norte-americana.
O acesso antecipado à informação expõe a proximidade da dupla com setores do governo Trump envolvidos na ofensiva diplomática contra o Brasil. A medida foi conhecida por Eduardo, Figueiredo e um “grupo de jornalistas” antes de ser formalmente comunicada ao governo brasileiro, em meio às articulações internacionais para favorecer a candidatura de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial.
Eduardo Bolsonaro esteve em Washington na semana anterior à revogação do visto. Paulo Figueiredo também circulava pela capital norte-americana e participou de uma conversa reservada na qual um representante do Departamento de Estado antecipou a decisão a um grupo restrito.
Figueiredo divulgou a punição enquanto o Itamaraty ainda não havia recebido uma comunicação oficial.
O conhecimento prévio, contudo, mostra que os dois continuam com acesso privilegiado à administração Trump. Eduardo e Figueiredo atuam nos Estados Unidos pela adoção de sanções, restrições de vistos e medidas econômicas contra autoridades e instituições brasileiras.