O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não explicou, durante sabatina da TV Globo, na noite desta sexta-feira (16), por que apoia um projeto que retira a obrigatoriedade de identificação de munições destinadas às forças de segurança. A mudança dificultaria o rastreamento de cartuchos desviados para organizações criminosas e eliminaria uma exigência que ajudou a identificar a origem das munições utilizadas no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 2018. Questionado sobre o impacto da proposta nas investigações, o senador chamou a marcação de “detalhezinho”.
A posição de Flávio provocou uma reação do secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça F, Chico Lucas, que apontou o risco de a medida facilitar a atuação de organizações criminosas. “Tirar a marcação das munições é a melhor forma de ajudar o crime organizado. Sem rastreabilidade, fica mais difícil descobrir quem comprou, quem desviou e como a munição chegou às facções”, escreveu nas redes sociais, ainda na noite de sexta-feira.
A cobrança durante a sabatina foi feita pela jornalista Renata Lo Prete, que perguntou como a retirada da identificação poderia ajudar no combate ao crime organizado. Flávio não apresentou uma justificativa específica. Em vez disso, passou a defender o endurecimento de penas e investimentos em tecnologia e inteligência artificial.
“Isso é muito maior do que qualquer detalhezinho desse em cima de uma cápsula. A polícia tem que investigar”, afirmou.
A jornalista insistiu: “Candidato, eu entendi que fiquei sem respostas sobre a questão de retirar a marcação das munições”.