O presidente Lula (PT) lidera a disputa presidencial no primeiro turno e aparece nove pontos à frente do principal oponente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (27). É o segundo levantamento após as tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terem entrado em vigor, na última quarta-feira (22), e mostra tendência já observada na pesquisa Datafolha de sexta-feira (24), em que Lula aparecia com 40% dos votos contra 32% de Flávio.
O cientista político Cláudio Gonçalves Couto lembra que pesquisas eleitorais “medem a temperatura do momento”, mas afirma que é possível considerar o cenário muito positivo para Lula. “Houve aquele momento do lançamento da pré-candidatura de Flávio, em que ele chegou a superar Lula, mas o Flávio foi impactado pela série de crises que começaram a incidir sobre a candidatura dele”, avalia, em referência ao episódio que liga o senador ao banqueiro Daniel Vorcaro e o racha público com a madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Couto também considera que o início da propaganda eleitoral, em agosto, poderá impactar nas intenções de voto. “Há uma tendência a favorecer o candidato incumbente, ou seja, o presidente Lula. Para o governo, é favorável ter propaganda na TV porque ele consegue mostrar a que veio, o que fez”, afirma.
O cientista político avalia que a campanha de Lula deve ser seletiva com relação à presença em debates, mas defende que a ausência completa pode ser um erro estratégico. “Parece que a pessoa está se evadindo, fugindo do debate. Não dá para ir a todos, mas aos debates importantes, das grandes emissoras, os mais tradicionais. Isso mostra um certo respeito com o eleitor e mostra que ele não tem do que fugir”, pondera Cláudio Gonçalves Couto em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
A pesquisa acontece dois dias depois que o PL realizou a convenção para oficializar a candidatura de Flávio, com exibição de um vídeo gerado por Inteligência Artificial, em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, aparece enviando uma mensagem aos correligionários. O episódio configura descumprimento da proibição de presos se manifestarem politicamente e também pode indicar irregularidade com relação às normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelecem uma série de regras para uso da tecnologia na política.