Não nos enganemos quanto aos objetivos de Flávio Bolsonaro: está em jogo um projeto de subversão da ordem democrática construída ao longo da Nova República
Restam dez dias para o segundo turno das eleições de 2026. O Brasil está em disputa. O cenário eleitoral, contudo, está longe de ser uma disputa política ordinária. Em nível nacional, está em jogo muito mais do que a escolha de quem ocupará o Palácio do Planalto e comandará o Executivo federal pelos próximos quatro anos. O que se disputa é a possibilidade de cada projeto político imprimir sua direção ao país, condicionando os rumos da democracia, dos direitos sociais, das liberdades políticas e das condições de vida da população nos próximos anos.
Dada a abrangência continental destas eleições, o resultado eleitoral de 2026 poderá alterar significativamente a correlação de forças na América Latina. Afinal, o imperialismo norte-americano, chefiado pelo governo de governo Donald Trump, representa uma crescente ofensiva sobre a América Latina, ampliando sua pressão política, econômica e militar. Nesse contexto, as eleições brasileiras transcendem as fronteiras nacionais e assumem importância estratégica para o conjunto da região. Não por acaso, o mundo acompanha atentamente a disputa eleitoral no Brasil.
Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, no âmbito da trama golpista investigada após as eleições de 2022, [i] desde 2003 exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado estadual no Rio de Janeiro (ALERJ) e assumiu uma cadeira no Senado em 2019.
Envolvido no escândalo das “rachadinhas” de Fabrício Queiroz, [ii] ocasião em que foi denunciado pelo Ministério Público por organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita. Sobre o mesmo tema, houveram suspeitas de que Flávio Bolsonaro utilizou uma franquia da Kopenhagen, localizada em um shopping na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, como fachada para lavar dinheiro do esquema de “rachadinhas” operado em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), uma vez que haveria suspeita de incompatibilidade de faturamento do negócio – registros de dinheiro vivo, padrão de depósitos em espécie (com picos em datas de pagamento e no 13º salário) e contrastante com o fluxo natural do varejo de chocolates.