O professor Beto Vasques avaliou que o senador Flávio Bolsonaro adotou um discurso mais radicalizado para animar a base bolsonarista e sustentar sua candidatura até o início oficial da campanha. A análise ocorreu após o parlamentar atacar o Judiciário em um encontro com empresários em São Paulo. Vasques é cientista político, consultor e professor de estratégia e comunicação política e foi entrevistado pelo Uol.
No evento, Flávio falou em “roubalheira” no Judiciário e afirmou que adversários “vão ultrapassar o limite da maldade”. Para Vasques, a estratégia mira os apoiadores mais fiéis, sem priorizar neste momento o eleitor independente e de centro.
“Ele está tentando fazer um discurso mais radicalizado para sua base, para animar sua base. Ele precisa se garantir até o 15 de agosto como o candidato do bolsonarismo”, disse o professor. Vasques acrescentou que essa opção explica uma atuação que classificou como mais violenta.
O analista afirmou que acusações amplas podem colocar o senador em dificuldade diante de entrevistas e debates. Ele questionou a falta de nomes nas críticas de Flávio à suposta corrupção no Judiciário.
“Ele sempre faz acusações genéricas. Ele não diz: roubalheira na alta cúpula do Judiciário. De quem ele está falando? Do ministro Toffoli, que foi quem aliviou para ele não ser investigado pelas rachadinhas?”, declarou Vasques.