Documentos enviados à CPMI do INSS e à CPI do Crime Organizado, no Senado, obtidos pelo Fórum Investiga, núcleo de jornalismo investigativo da Fórum, revelam que os dois principais dirigentes da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., proprietária do jatinho que teria Flávio Bolsonaro (PL) como sócio oculto também atuaram em empresas e estruturas financeiras ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Reportagem do jornal O Globo nesta quarta-feira revela que a Polícia Federal encontrou indícios de que o filho “01” de Jair Bolsonaro seria sócio oculto da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que detinha 33,33% da Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., proprietária do jatinho Embraer Legacy 650, de matrícula PP-NLR.
Flávio era “usuário master” de uma conta da Alcazar juntamente com Willer Tomaz, advogado e amigo de longa data do senador. A holding é sócia da aeronave com o empresário Laércio Cosentino, fundador da Totvs, e a Prime You, empresa da qual Daniel Vorcaro foi sócio até setembro de 2025. O jato foi usado pelo senador em uma viagem entre Brasília e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, em janeiro de 2025.
Marcus Vinicius da Mata, presidente da Fraction 024, e Artur Martins de Figueiredo, diretor da companhia, aparecem em documentos societários da Prime Aviation Participações e Serviços S.A., empresa ligada à Prime You, grupo que teve Vorcaro entre seus sócios e que administra aeronaves e outros bens de luxo.
Segundo informações atribuídas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em requerimento apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), a Fraction 024 recebeu R$ 5,3 milhões da Prime Aviation Participações e Serviços e R$ 1 milhão do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e investigado no escândalo das fraudes do INSS.