O debate da Band entre Lula e Flávio Bolsonaro é um retrato preocupante do empobrecimento do debate político no Brasil e da sujeição da imprensa à lógica do vale-tudo do algoritmo.
O confronto foi marcado por agressividade, provocações e dificuldades para manter o foco nas propostas. Enquanto um candidato deixa perguntas sem respostas, o outro também se perde em embates que pouco contribuem para esclarecer os projetos de governo.
Se o objetivo é conquistar o eleitorado indeciso por meio da apresentação de propostas, nenhum dos dois demonstrou êxito até agora. Os debates precisam ter checagem de informações em tempo real. Flávio mente como o pai, usando a presepada da Veja com Vorcaro, por exemplo, que não tem valor jurídico, ao bel prazer.
A implementação desse mecanismo apresenta desafios, mas colocar dois candidatos diante das câmeras, com tempo livre e sem intervenções efetivas da mediação, abre margem para mentiras, distorções e fugas das respostas. O eleitor merece mais do que acusações e encenações.
Flávio Bolsonaro não aceitou a proposta de Lula de que os dois expusessem suas contas bancárias. Também não respondeu objetivamente se pretende destinar as terras raras brasileiras aos Estados Unidos. São questões importantes, que exigem posicionamentos claros, não evasivas.