Flávio Bolsonaro (PL) recuou numericamente entre evangélicos, pessoas com 60 anos ou mais e eleitores de famílias com renda mensal de até dois salários mínimos nas pesquisas Datafolha divulgadas em 8 e 15 de outubro. O senador perdeu sete, quatro e três pontos, respectivamente. São recortes selecionados da pesquisa estimulada de segundo turno, em votos totais.
Entre evangélicos, Flávio Bolsonaro passou de 69% para 62%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu de 25% para 29%. A vantagem do senador diminuiu de 44 para 33 pontos, mas ele mantém ampla liderança. A margem de erro do segmento é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos, nas duas rodadas.
Nas famílias com renda mensal de até dois salários mínimos, Flávio Bolsonaro passou de 41% para 38%, e Lula, de 52% para 53%, ampliando sua vantagem de 11 para 15 pontos; a margem é de três pontos. Entre pessoas de 60 anos ou mais, Lula manteve 50%, enquanto o senador recuou de 46% para 42%. A diferença passou de quatro para oito pontos pela queda do candidato do PL, ficando no limite do empate técnico, com margem de quatro pontos.
Os movimentos ocorreram em um período que expôs contradições da campanha. Embora seu programa prometa um “tesouraço na censura”, Flávio Bolsonaro pediu ao TSE o bloqueio de 32 perfis alinhados a Lula e a retirada do canal “Exército do Lula”. Em resposta à Folha, a campanha afirmou defender tanto a liberdade de expressão quanto o combate à desinformação dentro da lei.
A disputa atravessou o campo da pesquisa. Em 13 de outubro, Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, condicionou a retomada do canal à regularização e à espera de 48 horas. A decisão apontou a falta de comunicação formal do endereço à Justiça Eleitoral e restringiu atualizações e entrada de seguidores. Administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), o espaço era usado para mobilizar apoiadores do presidente.