A Polícia Federal pediu nesta sexta-feira (16) ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para investigar o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A corporação apontou uma aparente contradição entre a delação do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior e um documento apreendido no caso.
Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, repassou US$ 12,3 milhões ao fundo Havengate, ligado à produção do longa nos Estados Unidos. Pela cotação de setembro de 2025, os valores equivaliam a R$ 62,8 milhões. A Entre Investimentos, empresa do delator, fez sete transferências entre janeiro e setembro daquele ano.
Em depoimento à PF no dia 1º de outubro, Mineiro afirmou que não sabia que os recursos financiariam uma produção audiovisual. Ele disse que acreditava fazer um investimento em um fundo de private equity voltado a empreendimentos imobiliários no Texas e na Flórida, nos Estados Unidos.
O empresário declarou que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, apresentou a operação e que o então dono do Banco Master confirmou a demanda. “Em momento algum lhe foi informado que os recursos se destinavam ao financiamento de um filme ou cinebiografia”, afirmou Mineiro, segundo o termo de depoimento.
A PF encontrou uma carta-acordo da empresa de Paulo Calixto, gestor do Havengate e advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, dirigida à Entre Investimentos. O documento trazia a justificativa de que “time is of the essence to the production of the film” — “o tempo é essencial para a produção do filme”.