O liquidante da massa falida do Banco Master, Eduardo Bianchini, afirmou em documento oficial enviado à Câmara dos Deputados que não existem registros contábeis ou contratuais que comprovem qualquer aporte das instituições do banco ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. As informações foram divulgadas por Monica Bergamo, na Folha de S.Paulo.
A declaração contradiz diretamente a versão sustentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), que insiste ter intermediado um patrocínio privado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas nunca apresentou contrato. A Polícia Federal rastreou os desembolsos até uma empresa comandada por um doleiro de Vorcaro, e a origem final dos R$ 62 milhões segue desconhecida.
Em resposta a pedido de informações do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), Eduardo Bianchini, liquidante da massa falida do Banco Master, foi categórico: “após consulta aos acervos das instituições representadas, não foram encontrados documentos, registros contábeis ou contratuais que evidenciem a realização de operações destinadas ao financiamento, patrocínio ou aporte de recursos para a produção cinematográfica mencionada, seja diretamente pelas instituições liquidandas, seja por intermédio de terceiros, nos limites das informações examinadas”.
No mesmo documento, Bianchini declarou que também não foram localizados registros de operações das instituições com o Havengate Development Fund LP que pudessem estar relacionadas à produção do filme.
A declaração esvazia o argumento central de Flávio Bolsonaro. O senador, pré-candidato à presidência pelo PL, afirma repetidamente em entrevistas que os R$ 62 milhões constituíram um patrocínio privado viabilizado por Daniel Vorcaro. O problema é que nenhum contrato foi apresentado para sustentar essa versão.