A produção do filme “Dark Horse“, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, abriu uma crise institucional entre a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e a Spcine, empresa pública da Prefeitura de São Paulo responsável pelo fomento ao setor audiovisual. A tensão surgiu após a Ancine autuar a produtora Go Up Entertainment por realizar parte das gravações no Brasil sem comunicar oficialmente a agência, como determina a legislação.
Documentos sigilosos obtidos pelo blog de Malu Gaspar mostram que a autuação foi lavrada em 28 de julho pela Superintendência de Fiscalização e Combate à Pirataria da Ancine. Segundo o auto de infração, a Go Up teria “produzido no Brasil a obra cinematográfica estrangeira ‘Dark Horse’ sem comunicar o fato à Ancine”.
A irregularidade é considerada grave por técnicos da agência, que agora também passaram a cobrar explicações da Spcine para verificar se as autoridades municipais de São Paulo tinham conhecimento das filmagens realizadas na capital paulista ou se também deixaram de ser informadas sobre a produção.
Nos bastidores, a cobrança abriu um atrito entre os dois órgãos. A Ancine busca esclarecer se a Spcine acompanhou ou autorizou as gravações e se houve falha na comunicação institucional durante a realização do projeto.
Pelas normas da agência, toda produção cinematográfica estrangeira realizada em território brasileiro deve ser conduzida por uma empresa registrada na Ancine, responsável por comunicar oficialmente o início das filmagens e apresentar documentos como contrato da produção, plano de gravação e a documentação dos profissionais estrangeiros envolvidos.