Damares Alves (Republicanos‑DF) afirmou, em 1º de julho, que o silêncio de aliados frente a ataques machistas a mulheres na política é “conivência”.
A declaração foi feita na reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, que ela preside.
A senadora cobrou reação de homens em pré‑campanha que não se manifestaram contra ofensas a Michelle Bolsonaro e a ela própria, após comentários de Paulo Figueiredo.
Damares ressaltou que a omissão diante de violência política contra mulheres gera responsabilidade, independentemente da orientação política.
Damares Alves (Republicanos-DF) chamou o silêncio de aliados diante de ataques machistas a mulheres na política de “conivência” nesta quarta-feira (1º), durante reunião da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, presidida por ela. A fala mirou homens em pré-campanha que, segundo a senadora, não reagiram às ofensivas contra Michelle Bolsonaro (PL) e contra ela própria no racha da extrema direita em torno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A cobrança ocorre após Michelle deixar a presidência do PL Mulher e depois de Flávio demorar a repudiar uma fala do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que afirmou que mulheres votam “muito mal”. O episódio se soma à crise acompanhada pela Fórum, que mostrou que Damares não foi ao ato de mulheres conservadoras organizado por Flávio.
Damares mira silêncio de aliados no racha de Flávio Bolsonaro
Sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, Damares cobrou reação pública de homens que já estão em palanques e disse que a omissão diante de violência política contra mulheres também produz responsabilidade.
“Se vocês não nos defendem, o silêncio de vocês é conivência”, disse Damares.
A senadora reforçou que a cobrança vale para candidatos “de direita, de esquerda ou de centro”. Segundo ela, quando uma mulher na política tem a honra atacada, lideranças masculinas têm obrigação de repudiar publicamente.
Damares também afirmou que Michelle Bolsonaro foi alvo de ataques com imagens manipuladas e inteligência artificial. Segundo a senadora, as ofensas chegaram a atingir Laura Bolsonaro, filha de Michelle e de Jair Bolsonaro, com questionamentos sobre paternidade. As declarações foram feitas como defesa direta da ex-primeira-dama.
Michelle Bolsonaro vira centro da crise no PL Mulher
A crise escalou depois de Michelle Bolsonaro anunciar a saída da presidência do PL Mulher. A ex-primeira-dama disse que deixava o cargo para se dedicar aos cuidados de Jair Bolsonaro e da filha, mas a decisão ocorreu depois do desgaste público com Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL.
A Fórum mostrou que Michelle ficou fora do comando do PL Mulher após o embate com Flávio. O movimento atingiu uma área considerada estratégica para a campanha do senador: a disputa pelo eleitorado feminino e evangélico, onde Michelle vinha sendo usada como principal rosto político do bolsonarismo.
O desconforto também foi demonstrado na ausência de Damares no encontro de Flávio com lideranças femininas conservadoras. A senadora, próxima de Michelle, havia ajudado na articulação de pautas voltadas às mulheres no campo bolsonarista.
Paulo Figueiredo amplia desgaste de Flávio com mulheres
O detonador mais recente da crise foi Paulo Figueiredo. O influenciador bolsonarista atacou Michelle e disse que mulheres votam “muito mal”, sobretudo as solteiras. A Fórum mostrou o vídeo em que Paulo Figueiredo ofende Michelle Bolsonaro e o voto feminino.
Flávio Bolsonaro tentou se afastar das falas de Figueiredo e afirmou que o influenciador não integra sua campanha. A reação, no entanto, não conteve o desgaste. A Fórum também registrou que Flávio repudiou a fala de Paulo Figueiredo sobre mulheres, mas o gesto veio depois de uma sequência de críticas internas.
A fala de Damares reposiciona a crise dentro da própria direita: não como divergência isolada entre Michelle e Flávio, mas como disputa aberta sobre machismo, violência política de gênero e o lugar das mulheres na pré-campanha bolsonarista de 2026.
Nos últimos dias, Damares também virou alvo da militância bolsonarista nas redes. A Fórum mostrou que Oswaldo Eustáquio atacou a senadora em meio à guerra entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Na CDH, Damares disse que ataques à honra e à moral tentam calar mulheres que decidiram participar da política.