O segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) coloca em disputa o lugar do Brasil no mundo. A escolha envolve nossa capacidade de decidir com autonomia, diversificar parcerias e defender a paz.
A Palestina atravessa esse debate porque revela como cada candidatura responde à ocupação, à violência contra civis e ao direito dos povos de existir. Para mim, defender Lula significa impedir que a diplomacia brasileira volte a servir às prioridades dos Estados Unidos e de “Israel”.
Durante seus primeiros mandatos, Lula ampliou o diálogo com países árabes e colocou a autodeterminação palestina na agenda brasileira. Em 2010, visitou Ramallah e, em dezembro, reconheceu o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967.
Como examino em meu livro “Palestina: do mito da terra prometida à terra da resistência” (Editora Anita Garibaldi), esse reconhecimento expressou a decisão política de tratar os palestinos como sujeitos de direitos, com legitimidade para construir seu futuro e exercer soberania sobre seu território.
Diante da devastação de Gaza, Lula denunciou o genocídio e cobrou respostas internacionais. Sua postura rompeu com a complacência de governos que continuaram oferecendo proteção política e apoio militar a “Israel”.