O ex-banqueiro Marcelo Kayath, cotado para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), enfrenta resistência entre aliados bolsonaristas por seu histórico de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelas críticas feitas a Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. A insatisfação foi relatada por pessoas próximas à campanha ouvidas pela Folha de S.Paulo.
Ex-executivo do Credit Suisse e atual sócio da gestora QMS Capital, Kayath passou a apoiar Flávio nesta eleição. Ele se aproximou de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e organizou encontros do candidato com banqueiros, investidores e empresários, incluindo um jantar em sua casa, em São Paulo.
Em entrevista ao Valor Econômico, em julho de 2021, Kayath criticou a condução da economia por Paulo Guedes. Disse que “a Faria Lima gosta de se iludir” e avaliou que o então ministro havia criado uma percepção de curto prazo que perdeu força diante da realidade econômica.
Na mesma entrevista, durante a pandemia de Covid-19, afirmou que os problemas estruturais do país continuariam sem solução naquela gestão. “Esse governo não tem mais tempo nem condições de dar respostas estruturantes”, declarou, projetando uma saída nas eleições, com um novo governo.
Em 2022, Kayath declarou voto em Lula e participou de encontros empresariais em apoio à candidatura do petista. Em entrevista ao Valor naquele ano, afirmou que Bolsonaro oferecia mais riscos fiscais do que Lula e avaliou que o candidato do PT teria mais condições de promover um ajuste nas contas públicas.