
Um evento em Washington reuniu o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, o empresário Joesley Batista e o advogado Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O encontro ocorreu na sexta-feira (3), em meio à movimentação bolsonarista nos Estados Unidos contra e a favor do tarifaço sobre produtos brasileiros.
Segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, o evento foi realizado no The Executive Branch, clube privado localizado em Georgetown, bairro tradicional de Washington. O espaço tem entre seus sócios Donald Trump Jr., filho do presidente Donald Trump, e se tornou um ponto de circulação de nomes ligados ao trumpismo.
O evento marcou as comemorações pelos 250 anos da independência dos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro ainda não estava no país: o senador embarcou para Washington no sábado (4) à noite e chegou à capital americana apenas no domingo (5), antes da audiência pública do USTR sobre a proposta de tarifa adicional contra produtos brasileiros.
De acordo com relatos citados pela coluna, Joesley Batista, Marco Rubio e Vicente Santini foram vistos se cumprimentando em um dos momentos do evento. Procurado, Santini confirmou que esteve em uma reunião em Washington “com muita gente”, entre elas Joesley e Rubio. A assessoria de Joesley foi procurada, mas o empresário não se manifestou.

Santini é uma peça importante no entorno de Flávio Bolsonaro. Além de atuar na pré-campanha do senador ao Palácio do Planalto, ele é próximo da família Bolsonaro e já ocupou cargos no governo Jair Bolsonaro. Em 2020, foi exonerado após usar avião da FAB em viagem à Índia, episódio que o próprio Jair Bolsonaro classificou à época como “imoral”.
O advogado também mantém relação profissional com o grupo J&F. A Folha mostrou em 2024 que Santini defendia a Âmbar, empresa de energia da holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, no Tribunal de Contas da União. O Metrópoles afirma ainda que Santini defende empresas da J&F em alguns processos judiciais e tem relação pessoal com os irmãos Batista.
A presença de Joesley no mesmo ambiente que um coordenador de Flávio Bolsonaro incomodou uma ala do bolsonarismo. O incômodo tem relação com a atuação do empresário junto à Casa Branca para revogar medidas da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e para destravar uma reunião entre Lula e Donald Trump em maio.
O episódio adiciona mais uma camada à passagem de Flávio Bolsonaro pelos Estados Unidos. Enquanto o senador tenta usar a audiência do tarifaço como palco político contra o governo Lula, um de seus coordenadores circulou em um clube ligado ao clã Trump ao lado de Joesley Batista, personagem que hoje transita em agendas incômodas para setores da própria direita bolsonarista.