
O advogado José Vicente Santini, coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), passou a ser alvo de ataques da ala ligada a Eduardo Bolsonaro e ao comentarista Paulo Figueiredo, evidenciando o agravamento da disputa interna no bolsonarismo.
A ofensiva foi puxada pelo influenciador Kim Paim, que criticou Vicente Santini e seu irmão, Nelson Santini, por não terem alinhado com Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo a agenda que cumpriram nos Estados Unidos. Segundo Paim, Vicente estaria mais interessado em fazer “business” do que em defender o projeto político do grupo, numa referência à atuação empresarial da família no setor de segurança privada.
Paim também fez ataques pessoais a Nelson Santini, afirmando que ele anda armado e se comporta como um “caubói”, reforçando a campanha de desgaste promovida nas redes sociais pelo núcleo mais radical ligado a Eduardo Bolsonaro.
Nelson Santini já foi alvo de controvérsias no passado. Sua empresa de segurança privada, a CampSeg, apareceu em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo por utilizar policiais militares, agentes penitenciários e guardas civis na prestação de serviços de segurança patrimonial na ferrovia da região do porto de Santos. O caso levantou questionamentos sobre uma suposta apropriação privada da segurança pública. Na ocasião, a empresa negou irregularidades.
As críticas a Vicente Santini também têm origem em sua atuação profissional fora da campanha. O advogado continua representando a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, cuja aproximação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva incomoda integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro. Em maio, Joesley Batista participou das articulações que levaram ao encontro entre Lula e Donald Trump.
O desconforto aumentou depois que Santini participou, em Washington, de um evento promovido durante as comemorações dos 250 anos da independência dos Estados Unidos. O encontro reuniu autoridades, entre elas o secretário de Estado americano, Marco Rubio, além de empresários e convidados, poucos dias antes da chegada de Flávio Bolsonaro ao país.
Segundo informações publicadas por O Globo, a presença de Santini no evento não teria sido comunicada previamente a Flávio Bolsonaro, a Eduardo Bolsonaro nem a Paulo Figueiredo, responsável pela articulação internacional da campanha do senador.
José Vicente Santini tem longa trajetória em governos aliados do bolsonarismo. Durante a gestão de Jair Bolsonaro, comandou a Secretaria Nacional de Justiça e foi secretário-executivo da Casa Civil. Em 2020, acabou exonerado após utilizar um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para uma viagem à Índia. Na época, Jair Bolsonaro classificou como “inadmissível” o uso da aeronave para transportar apenas três servidores. Posteriormente, Santini voltou ao governo como assessor do Ministério do Meio Ambiente e assessor especial da Presidência da República.
Em 2023, foi nomeado pelo governador Tarcísio de Freitas para chefiar o escritório do governo de São Paulo em Brasília. Neste ano, passou a integrar, ao lado do irmão Nelson, o núcleo de planejamento da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, assumindo a coordenação da agenda do senador.
A interlocutores, Vicente Santini minimizou a polêmica. Segundo O Globo, ele afirmou não entender por que sua participação em um evento institucional nos Estados Unidos estaria sendo associada à campanha de Flávio Bolsonaro e disse participar regularmente de encontros empresariais e políticos no Brasil e no exterior, independentemente da presença de Paulo Figueiredo ou de outros integrantes do grupo.