
O advogado José Vicente Santini, um dos coordenadores da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), comprou em setembro de 2025 uma mansão no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, por R$ 14,5 milhões, segundo o ICL Notícias.
O patrimônio de Santini soma ao menos R$ 23 milhões em nove imóveis adquiridos desde 2022. A compra mais recente envolve uma casa com área total de 1.312,50 metros quadrados e 635,8 metros quadrados de área construída.
De acordo com certidões de matrícula e a escritura, Santini pagou R$ 4 milhões de entrada e financiou R$ 10,5 milhões no Banco Regional de Brasília (BRB). O documento não informa como ele realizou o pagamento da entrada, se em dinheiro, transferência bancária ou outro meio, informação exigida pela Corregedoria Nacional de Justiça.
Santini comprou o imóvel em conjunto com sua companheira, a jornalista Mariana Flores Pinto. O financiamento no BRB prevê parcelas iniciais de R$ 128 mil mensais por 30 anos, pela tabela SAC, e uma simulação com base nas regras do contrato indica que o casal precisaria comprovar renda mensal de cerca de R$ 429 mil.

Santini diz que renda vem de advocacia e empresa de segurança
Santini afirmou que ainda não decidiu o destino do imóvel. “Fiz um negócio que eu achei que o preço… que era um local que podia valorizar. Então, eu não sei ainda se eu vou tentar me organizar e botar à venda. Eu não sei se vou futuramente colocar meu escritório de advocacia. Não sei ainda”, disse.
O advogado declarou que a renda necessária para obter o financiamento vem, em grande parte, de seu escritório de advocacia e de uma empresa de segurança que mantém com o irmão.
“O dinheiro está tudo declarado, imposto está pago. Não tenho nenhum problema com nenhum desses assuntos aí que eu te falei. Tenho 20 anos de advocacia, tenho uma história familiar, tenho uma empresa”, afirmou, sem revelar quem são seus clientes e dizendo não saber quantos advogados trabalham em seu escritório.
A escritura pública da mansão saiu em 2 de setembro de 2025, no 2º Ofício de Notas de Sobradinho, no Distrito Federal. A operação ocorreu dois meses antes da ação da Polícia Federal contra o Banco Master, deflagrada em novembro, quando o banqueiro Daniel Vorcaro acabou preso pela primeira vez.

Na época da compra, Santini ocupava cargo de assessor especial no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), com salário entre R$ 21 mil e R$ 23 mil. Desde o início de 2026, ele integra a equipe de pré-campanha de Flávio Bolsonaro e, nos bastidores do PL, organiza compromissos e agendas do senador, além de atuar como advogado da legenda.
Santini descreveu sua função na pré-campanha como uma coordenação informal. “Assim, precisava de alguém que conhecesse as pessoas para falar em nome dele (Flávio), né? Não dava pra ser qualquer pessoa, né? Pra ficar tratando assim com os candidatos, organizando os palanques, fazendo as estruturas ali das agendas dos estados”, disse.
O primeiro imóvel de Santini, uma cobertura de 324 metros quadrados no Noroeste, em Brasília, entrou em seu patrimônio em 2020 por R$ 3 milhões, em contrato direto com a construtora. Em 2022, ele comprou sua primeira mansão no Lago Sul por R$ 6,7 milhões, período em que recebia R$ 16,9 mil mensais como secretário nacional de Justiça do governo Jair Bolsonaro.
Em 2025, Santini também comprou sete terrenos em São Paulo junto com o irmão, o tenente Nelson Santini Neto, em investimento de cerca de R$ 1,8 milhão. Na escritura da nova mansão, o ITBI custou R$ 290 mil, Santini aparece como titular de 86,21% do imóvel e Mariana Caetano Flores Pinto, sua companheira, ficou com os 13,79% restantes.
Santini ocupa cargos públicos desde 2019, quando entrou no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele ficou conhecido em janeiro de 2020, após deixar o cargo de número dois da Casa Civil depois da revelação de que solicitou um jatinho da Força Aérea Brasileira para voar da Suíça à Índia durante agenda oficial do então presidente no Fórum Econômico Mundial de Davos.