O aplicativo de mensagens secretas Confide, usado pelo senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para se comunicar com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes do INSS, é o mesmo utilizado pelos ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio Queiroz no planejamento do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro.
A informação sobre as conversas entre Flávio e Willer consta de um relatório da Polícia Federal (PF), que identificou o aplicativo entre os dados extraídos do celular do advogado. Segundo os investigadores, o número do candidato do PL estava salvo, inclusive, como contato favorito de Tomaz na plataforma, desenvolvida para permitir a troca de mensagens criptografadas que desaparecem automaticamente após a leitura.
O uso do mesmo aplicativo pelos assassinos de Marielle foi revelado em julho de 2023, após a delação premiada de Élcio Queiroz. Na ocasião, a PF confirmou que os dois utilizavam o Confide para compartilhar informações reservadas, incluindo imagens relacionadas à preparação do crime.
A ferramenta, que promete dificultar a recuperação de registros das conversas, também ganhou notoriedade internacional por ter sido utilizada por funcionários da Casa Branca durante o primeiro governo de Donald Trump, entre 2017 e 2021, para trocar informações confidenciais e, segundo reportagens da imprensa dos EUA, realizar vazamentos à imprensa.
A descoberta das conversas pelo Confide integra a investigação da Polícia Federal sobre as relações financeiras entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz, que também aparecem conectados à offshore Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal.