
Essa é uma das principais conclusões apresentadas pelo professor e especialista em marketing Nino Carvalho em entrevista ao programa TV GGN 20hs, quando analisou as transformações da comunicação política e os desafios enfrentados por diferentes grupos na disputa pelo espaço nas redes sociais.
Embora a conversa tenha partido das movimentações em torno da comunicação de Flávio Bolsonaro, o debate evoluiu para uma reflexão mais ampla sobre as mudanças estruturais na forma como campanhas e lideranças políticas constroem sua presença digital.
A comunicação não termina após as eleições
Segundo Nino Carvalho, um dos equívocos recorrentes é tratar a comunicação política como uma atividade restrita ao período eleitoral.
Na avaliação do especialista, a extrema direita consolidou uma estratégia baseada na presença constante nas plataformas digitais, alimentando diariamente suas redes de apoiadores com conteúdo, narrativas e interação direta com o público.
Esse processo contribui para manter comunidades mobilizadas durante todo o ciclo político, reduzindo a dependência de grandes campanhas publicitárias quando as eleições se aproximam.
Outro ponto destacado na entrevista é a mudança do comportamento do público nas redes sociais. Em vez de receber passivamente mensagens produzidas por partidos ou veículos de comunicação, usuários passaram a compartilhar conteúdos, produzir interpretações e participar ativamente da circulação de informações.
Nesse ambiente, explica Nino Carvalho, a formação de comunidades digitais torna-se um dos principais ativos da comunicação política. Esses grupos reforçam identidades, compartilham valores e ampliam o alcance das mensagens por meio das próprias interações entre seus integrantes.
O papel dos algoritmos
A entrevista também aborda a influência dos algoritmos na distribuição do conteúdo político. Segundo o especialista, as plataformas digitais priorizam publicações capazes de gerar elevado nível de engajamento, favorecendo conteúdos emocionalmente intensos e altamente compartilháveis.
Esse funcionamento tende a fortalecer a circulação de mensagens dentro de comunidades já consolidadas, criando ambientes em que usuários são expostos repetidamente a conteúdos semelhantes — fenômeno frequentemente associado às chamadas bolhas digitais.
Nesse contexto, a disputa política deixa de ocorrer apenas entre candidatos e partidos e passa a envolver também a capacidade de compreender a lógica das plataformas digitais.
Durante a conversa, Nino Carvalho também analisa o desafio enfrentado por lideranças que buscam ocupar espaços já fortemente associados a figuras políticas consolidadas.
No caso do bolsonarismo, o especialista observa que qualquer sucessão exige a construção de uma identidade capaz de dialogar com uma base política já organizada em torno de uma liderança nacional.
Mais do que mudanças em equipes de comunicação, esse processo depende da capacidade de produzir narrativas consistentes e estabelecer vínculos permanentes com o público.
Veja mais a respeito do assunto na íntegra da entrevista com Nino Carvalho.