Ao comemorar, em dezembro de 2021, a aprovação pelo Senado do nome de André Mendonça, indicado por ele ao Supremo Tribunal Federal (STF), Jair Bolsonaro (PL) escancarou o projeto de aparelhamento da cúpula do judiciário, que ficou incompleto na derrota para Lula um ano depois.
“Não mando nos votos no Supremo, mas são dois ministros que representam, em tese, 20% daquilo que nós gostaríamos que fosse decidido e votado”, afirmou o então presidente, que sempre tratou Mendonça e Kássio Nunes Marques como prepostos dentro das altas cortes.
Às vésperas do início da campanha presidencial, em 16 de agosto, com o ex-presidente preso, Mendonça e Nunes Marques mostraram que a recíproca é verdadeira e fazem uma dobradinha com Flávio Bolsonaro para blindar o senador em casos na Justiça, atendem praticamente 100% das ações eleitorais propostas por seu partido, o PL, e, de quebra, ressuscitam, juntamente com a ala lavajatista da Polícia Federal, acusações contra Lula, usando sobretudo nomes que fazem parte do inconsciente coletivo, já propagados pela mídia liberal em outras eleições.
O conluio entre os ministros e a campanha de Flávio Bolsonaro tem como objetivo abastecer as manchetes da mídia liberal, que há décadas usa acusações nunca provadas contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para atacar o pai.
Os casos recentes, com a ala lavajatista da PF pedindo a abertura de três inquéritos contra Fábio Luís em menos de uma semana – dois deles avalizados por Mendonça – ganhando as manchetes dos jornalões são apenas a repetição da velha fórmula usada pela Veja que estampou o “Ronaldinho de Lula” na capa da edição de 25 de outubro de 2006, quatro dias antes do presidente ser reeleito para seu segundo mandato.