Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) classificaram como grave a fala do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que levantou dúvidas sobre a segurança das urnas eletrônicas e avaliam que o episódio merece atenção da Justiça Eleitoral. Segundo o Globo, integrantes da Corte defendem que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirme de forma mais clara a segurança e a confiabilidade do sistema de votação.
Na reunião com embaixadores realizada na terça-feira, Flávio citou um relatório desclassificado pela CIA sobre supostas vulnerabilidades do sistema eleitoral venezuelano e associou o documento à empresa Smartmatic. O senador afirmou que “muitas dessas máquinas que são registradas para as eleições brasileiras têm a mesma origem nessa empresa venezuelana”.
Depois da fala, Flávio pediu que países enviem observadores internacionais para acompanhar as eleições brasileiras. Ele também voltou a defender a reunião promovida por Jair Bolsonaro com diplomatas em 2022, episódio que entrou no julgamento que tornou o ex-presidente inelegível por oito anos.
O TSE evitou comentar diretamente as declarações do senador e encaminhou uma checagem do próprio tribunal, publicada originalmente em 2020 e atualizada em 2022. A nota afirma que “a empresa Smartmatic não fornece urnas eletrônicas, nem softwares eleitorais para o Brasil” e registra que a companhia nunca vendeu urnas eletrônicas ao país.
Ministros do STF veem diferenças entre o caso de Flávio Bolsonaro e o episódio que levou Jair Bolsonaro à inelegibilidade, principalmente pelo contexto das declarações e pelo alcance da manifestação. Mesmo assim, a avaliação reservada é que questionamentos sem provas sobre o sistema eletrônico de votação não devem ser relativizados.