Este 15 de outubro, Dia do Professor, marca os dez dias que antecedem o segundo turno das eleições presidenciais, em que estão em disputa dois projetos de Brasil muito distintos: de um lado o senador Flávio Bolsonaro (PL) e, de outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Lula menciona em suas propostas para a área da educação a construção de creches, pré-escolas, valorização dos professores, aumento do número de matrículas em tempo integral e ampliação de programas como o Pé-de-Meia. Já Flávio fala em voucher-creche, para quando não houver vaga em unidade pública, reformulação do ensino técnico para aproximar escolas e empresas, expansão do modelo de escolas cívico-militares e transferência do ensino superior para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Thiago Esteves, professor de sociologia e pesquisador em educação, avalia que o eleitor tem acompanhado vários escândalos, mas pouco tem se falado em propostas.
O professor critica alguns pontos que aparecem no plano de governo de Flávio e afirma que “não estão de acordo com o que os professores e comunidade educacional” demandam. “Não há qualquer menção sobre valorização dos professores. Ele não traz elementos de aumento salarial. Se a gente pega o caso dos vouchers, é importante que as pessoas saibam que, no caso do Brasil, temos um modelo de gestão tripartite, ou seja, estados, municípios e União têm deveres e direitos na política educacional. No caso, as creches são responsabilidade direta dos municípios. Claro, em articulação com repasses da União, mas é do município”, reforça.
Outro ponto destacado por Esteves como ponto de atenção é a retirada do ensino superior da aba do Ministério da Educação (MEC). “Eu desconheço um modelo em que as universidades públicas de um país estejam submetidas ao Ministério de Ciência e Tecnologia. São áreas afins, mas não é a finalidade básica da educação estar junto com a ciência e tecnologia. O que será das áreas humanas que não são necessariamente de ciência e tecnologia? Ele quer submeter a educação à lógica do mercado”, explica.