Ainda não sabemos o que o dia 25 de outubro prepara para o destino do país. A força popular das ruas e das redes em torno de Lula, parece apontar para uma diminuição da força reacionária de Flávio Bolsonaro. O jogo eleitoral permanece em aberto, a testar os nervos e a angústia existencial de milhões e milhões de brasileiras e brasileiros. Em todo caso, cabe lembrar aqui o que a sociedade presentista acaba por esquecer.
A vitória de Lula em 2022 foi extraordinária. Principalmente porque conseguiu barrar, pelo menos por 4 anos, a sanha autoritária que se desenhava desde os desdobramentos das jornadas de junho e julho de 2013, posteriormente capturada pela grande mídia, por setores do judiciário e pelo congresso nacional, num movimento que reeditou uma revolta difusa a partir de uma chave reacionária, vale dizer: as coisas devem mudar para que tudo continue no lugar.
Foi da mobilização das heranças mais nefastas da ditadura (1964-1985) que surgiu a força do bolsonarismo, que sempre se colocou como suposto antissistema, mas que sabíamos desde então que era mais uma faceta do próprio sistema, mas desta feita levado pela onda da “Lava Jato”, que parecia querer o fim da corrupção, mas que na real era apenas uma forma de manter a corrupção a partir das premissas dos donos do poder de uma história inteira do Brasil.
Lembremos, Dilma Rousseff foi golpeada não pelos seus erros, mas pelos seus acertos, não apenas pela malfadada economia política do segundo mandato, mas do ressentimento da direita (então dita “civilizada”) diante da política de distribuição de renda e de massas inteiras da história brasileira que foram pela primeira vez incluídas no orçamento da união, de um Estado que – na esteira do trabalhismo varguista – arbitra os conflitos entre o Capital e o Trabalho. Em outras palavras, que ouve e cuida do povo trabalhador, da sua renda, dos seus direitos, da sua dignidade.
Ora, foi por isso – contra todos esses direitos – que a maioria do Congresso (que tem sido reiteradamente inimigo do povo trabalhador) votou pelo impeachment em 2016. Foi para destruir tais direitos que Michel Temer deu um dos golpes mais espúrios contra a República e a coisa pública. O que talvez a direita (que é a extrema-direita e o centrão nos dias de hoje) “civilizada” não tenha previsto seria que a onda de insatisfação difusa contra toda a classe política fosse engolida pelo bolsonarismo.