Com algumas convenções partidárias já concluídas e chapas já definidas, a direita vai para as eleições presidenciais de 2026 fragmentada e com ao menos duas “chapas puras”, com um único partido.
Candidato da oposição mais bem colocado nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi oficializado ainda sem um vice, mas o partido busca alguém da própria legenda. O mesmo ocorre com o ex-governador Romeu Zema (Novo). O Partido Progressistas e União Brasil, importantes legendas que compõem o Centrão, já anunciaram neutralidade no primeiro turno.
A oficialização de Flávio foi marcada pelo uso de Inteligência Artificial, que emulou uma imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro para enviar um recado aos correligionários. O vídeo vem sendo questionado por desrespeitar regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso de IA em campanha política.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Rudá Ricci avalia que o cenário atual pode garantir uma vitória a Lula, ainda que apertada, ainda no primeiro turno. “A direita chega à eleição rachada, e a esquerda, unificada. Em termos de votos válidos, Lula teria hoje 45% de acordo com Datafolha, e com a Quaest pula para 49%. Ou seja, está muito próximo. Há quem diga que no primeiro turno tem racha, mas no segundo turno se unifica. Isso não é muito claro, não. As pesquisas revelam que o eleitor que tem o voto mais definido é o eleitor do Lula”, afirma. “Nunca até agora o Lula esteve tão perto de ganhar no primeiro turno.”
Ricci destaca a posição de neutralidade do Centrão e avalia que isso pode favorecer Lula. “A cúpula do Centrão é próxima da extrema direita, porque eles vieram da Arena, mas a base não, é baixo clero. São muito pragmáticos. O Lula se mantendo bem, se afastando do segundo candidato, essa base vai ficar quietinha”, explica.