Alvo de tentativa de feminicídio na Bolívia, a advogada Nádia Beller revelou que o consultor político argentino Fernando Cerimedo, estrategista da ultradireita internacional na América Latina, estaria atuando na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e que sua equipe teria agido junto à Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, para reduzir o alcance das contas e das publicações de Lula nas redes sociais.
“Nos primeiros dias de agosto, Fernando me mandou uma foto com um dos Bolsonaro nos Estados Unidos. Não posso te precisar agora a data exata porque meu celular está no Ministério Público, mas do dia 1º ao dia 5 que ele esteve nos Estados Unidos, nesse intervalo, ele me mandou uma foto. Ele me disse que estavam tratando do tema da campanha, que ele ia buscar financiamento e que ele ia participar sim ou sim dessa campanha, dessa eleição”, afirmou Nádia Beller sobre o ex, preso na Bolívia como mandante da tentativa do assassinato, em entrevista ao programa Ventana del Mundo, do canal mexicano 14, na segunda-feira (12).
Após a prisão de Cerimedo, momentos após a tentativa de assassinato de Nádia Beller, os negócios em torno do site La Derecha passaram a ser comandados por Javier Negre, que encontrou Flávio Bolsonaro em encontro do CPAC, no Texas, em março.
ENTENDA: Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, reconhece na justiça redução de alcance de perfis de Lula Sócio de Cerimedo, Negre indagou Flávio Bolsonaro sobre “possível fraude eleitoral” e resposta antecipou estratégia
Bolsonarismo nas redes: a indústria global que fabrica popularidade
Na entrevista, a advogada afirma que mesmo com Cerimedo preso, a equipe dele estaria por trás da redução do alcance das publicações de Lula nas redes da Meta, comandadas por Mark Zuckerberg. Segundo Nádia Beller, o argentino tinha contato direto com a big tech e atuava para derrubar perfis e publicações de forma “manual”.