Partidos do chamado Centrão caminham para formalizar posição de neutralidade na eleição presidencial e concentrar recursos nas disputas ao Congresso Nacional. A tendência deixa as siglas fora dos palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparecem como os principais nomes em articulação para a disputa.
A decisão deve ser consolidada nas convenções partidárias marcadas até 5 de agosto. Dirigentes avaliam que a prioridade eleitoral das legendas será ampliar bancadas na Câmara e no Senado, o que pesa mais do que um alinhamento nacional imediato com Lula ou Flávio.
Algumas siglas do bloco mantêm espaços na Esplanada dos Ministérios, embora a desincompatibilização tenha reduzido cargos de primeiro escalão ligados a esses partidos. O PT adotou uma movimentação mais discreta nos acordos federais com o centro e passou a mirar alianças mais à esquerda para montar o palanque nacional de Lula.
O PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, tentou atrair legendas de centro com mais insistência e chegou a colocar a indicação para a vice-presidência na mesa. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, conversou com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), líder da bancada do Progressistas, mas a ex-ministra da Agricultura recusou a possibilidade.
Flávio Bolsonaro também procurou o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), nesta semana. O dirigente, porém, já indicou a aliados que a federação deve manter neutralidade para liberar composições estaduais. “Esse sempre foi o consenso da federação para que os estados fiquem livres para eleger o maior número de deputados”, disse um integrante da executiva nacional do Progressistas.