Nesta quarta-feira (12), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), participou de um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), selando a reaproximação dos dois, após longo período de tensões. Segundo o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), “as relações foram retomadas” e todos os temas prioritários do governo Lula foram debatidos.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Roberto de Souza pondera que há dois pontos necessários de serem avaliados. O primeiro diz respeito a uma série de movimentações do Centrão, especialmente do PP e do União Brasil, nas últimas semanas, que coadunam com o entendimento de que a reeleição de Lula, neste momento, é o cenário mais provável de acontecer.
“O Alcolumbre ficou muito tempo nesse jogo de ficar dos dois lados, em razão um pouco da agenda, mas também para sentir o ambiente eleitoral. Tudo indica que o Centrão já começa a perceber que o jogo está mais difícil para Flávio Bolsonaro. O presidente da Câmara, Hugo Motta, já declarou apoio ao presidente Lula em seu território, onde ele terá bom desempenho”, afirma.
O segundo ponto, para Souza, é o das votações. “Eu ainda tenho dificuldades de acreditar que essas votações que ele está sentado em cima vão desenrolar nesse período pré-eleitoral. O ganho eleitoral tende a ser baixo”, opina. “Penso eu, no sentido bem pragmático da política, se é de interesse do próprio governo agora que isso caminhe”, pondera.
O cientista político também avalia que há certa indefinição com relação à corrida eleitoral ao Senado e destaca que a escala 6×1 pode ter um peso importante nesse processo. Segundo a Quaest, lembra Paulo Roberto de Souza, cerca de 70% dos eleitores tenderiam a votar em um candidato ao Senado que apoia o fim da escala 6×1.