A escalada do cerimonial jurídico promovido pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto ganhou novos e ostensivos contornos na reta final do segundo turno. Em uma ofensiva detalhada para deter o avanço do engajamento oposicionista na internet, a equipe jurídica do candidato acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com uma ação direcionada a 48 perfis da rede social Instagram alinhados à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida atinge desde influenciadores e páginas organizadas de esquerda até veículos alternativos, como o Mídia Ninja, e parlamentares no exercício do mandato.
A investida, contudo, não representa um episódio isolado, mas sim o ápice de uma tática diária e sistemática. O acionamento constante da Justiça Eleitoral por parte da campanha de extrema direita busca barrar a livre manifestação, interditar a crítica política e impor um filtro constante ao debate público, enfraquecendo a circulação de contrapontos que questionam as declarações e a plataforma eleitoral de Flávio.
No documento encaminhado ao TSE, os advogados de Flávio Bolsonaro estruturaram uma representação pormenorizada sobre a dinâmica de funcionamento dos 48 perfis identificados. O ponto central da acusação é o uso tático do recurso de publicações colaborativas do Instagram, as chamadas collabs, no qual uma mesma postagem é veiculada simultaneamente em múltiplas contas, unificando as audiências e potencializando o alcance do conteúdo. Segundo a peça jurídica, o uso articulado dessa ferramenta configuraria uma rede organizada para propagar desinformação ou declarações fora de contexto sobre o senador.
A petição divide os pedidos de sanções de forma específica entre as contas mapeadas:
A representação fundamenta o pedido em um mapeamento interno da campanha, que alega ter identificado 1.525 perfis interligados por collabs e outras 260 contas que formariam um “núcleo de desinformação” somando cerca de 29 milhões de seguidores. Entre os conteúdos atacados na ação estão postagens que repercutiam a declaração de Flávio sobre alterar a Constituição. A petição cita, por exemplo, que 39 publicações assinadas por 94 perfis traduziram a fala do candidato como risco de “golpe” e ameaça ao direito de voto. Entre os exemplos listados no processo consta ainda um vídeo publicado no Mídia Ninja, no qual a atriz Titi Müller dialogava com eleitores de outros candidatos alertando sobre a fala do senador.