Márcio Canella (União Brasil), pré-candidato ao Senado apoiado por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pediu à Polícia Militar do Rio o fuzil calibre 5,56 encontrado pela Polícia Federal em seu carro em 7 de julho. Segundo apuração da coluna Segredos do Crime, de O Globo, a liberação teve o aval do então comandante-geral da corporação, Marcelo de Menezes Nogueira, hoje pré-candidato a deputado estadual pelo PL.
O fuzil, porém, não ficou formalmente em nome de Canella. A arma da PM foi acautelada ao terceiro-sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior, integrante da segurança pessoal do político e cedido ao Departamento Estadual de Trânsito do Rio de Janeiro (Detran-RJ). O documento assinado durante a gestão de Menezes teria validade até 2027.
A revelação altera o centro da explicação apresentada após a prisão. A defesa de Canella sustentou que o fuzil pertencia à PM, estava regularmente sob responsabilidade do sargento e havia sido deixado no veículo pelo policial. O pedido para que a corporação disponibilizasse o armamento, no entanto, partiu do próprio pré-candidato.
Marcelo de Menezes Nogueira comandou a Polícia Militar e ocupou a Secretaria de Estado de Polícia Militar entre abril de 2024 e março de 2026. Ele foi substituído pelo coronel Sylvio Guerra em 25 de março, após permanecer quase dois anos à frente da corporação.
Menezes deixou o comando para entrar na disputa eleitoral e atualmente se apresenta como pré-candidato a deputado estadual pelo PL. A autorização para o fuzil solicitado por Canella ocorreu quando o coronel ainda concentrava o comando administrativo e operacional da PM.