O general Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, foi convocado para depor como testemunha em um caso que apura um esquema de desvio de armas do Exército no Rio de Janeiro. A convocação partiu da defesa do tenente-coronel Alexandre de Almeida, acusado pelo Ministério Público Militar de se apropriar de armamentos e falsificar registros no sistema interno da Força entre 2016 e 2018, exatamente o período em que Braga Netto comandava a 1ª Região Militar. A oitiva está marcada para 10 de novembro, por videoconferência, mas ainda depende de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do STF.
O general Walter Souza Braga Netto foi chamado a depor como testemunha em um processo que investiga o desvio de armas do Exército no Rio de Janeiro. A convocação foi feita pela defesa do tenente-coronel Alexandre de Almeida, que chefiava o setor responsável pela fiscalização de armas e produtos controlados da 1ª Região Militar, estrutura que abrange os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo.
Braga Netto acumula, neste momento, duas frentes judiciais de peso. Ex-ministro da Defesa e da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro e ex-candidato a vice-presidente na chapa do então presidente, o general está preso no Rio de Janeiro desde dezembro de 2024, cumprindo pena definitiva de 26 anos por tentativa de golpe de Estado. É nessa condição que ele agora é chamado a responder perguntas sobre o período em que comandou a região militar onde as irregularidades teriam ocorrido.
Segundo denúncia do Ministério Público Militar (MPM), o tenente-coronel Alexandre de Almeida se apropriou de armas entregues ao Exército para destruição ou para retorno à cadeia de suprimentos da Força. Parte dos armamentos havia pertencido a militares da reserva ou a oficiais já mortos, cujas armas deveriam seguir procedimento regular de descarte ou recolhimento institucional.
Para encobrir o esquema, Almeida inseria informações falsas no sistema interno do Exército, registrando os armamentos em seu próprio nome ou no de terceiros para posterior repasse. O MPM aponta ainda que parte das armas desviadas foi usada como moeda de troca: o tenente-coronel teria oferecido armamentos a um marceneiro para quitar uma reforma em sua residência, serviço avaliado em R$ 21,5 mil. Os armamentos foram entregues ao profissional já com registros e documentos emitidos em seu nome. Outras pessoas que teriam recebido armas desviadas no mesmo esquema passaram a responder por crimes como receptação, posse ilegal de arma de fogo e uso de documento falso.