Da rebeldia da juventude que tomou as praças após o primeiro turno à indignação ensurdecedora das janelas, o Brasil trabalhador entra em vigília antifascista para barrar o projeto do atraso da extrema-direita aliada a ultradireita de Trump e Rubio.
Há datas que marcam o compasso da história não apenas pelos votos depositados nas urnas, mas pelo som cru, vibrante e coletivo das ruas e das casas. Os dias seguintes ao dia 4 e a noite de ontem, 16 de outubro, entraram para o calendário das grandes reações populares do Brasil.
Exatamente no momento em que a televisão exibia a face e o discurso do candidato Bolsonaro Filho à Presidência, as janelas de dezenas de cidades se abriram num estrondo.
O que irrompeu dali — unindo o ronco persistente de quem ocupa as ruas e praças, desde 5 de outubro, à fúria metálica das panelas da noite do dia 16 — não foi apenas ruído. Foi a voz inegociável de uma população que se recusa a flertar novamente com o abismo do fascismo, do negacionismo e da barbárie.
Das metrópoles aos bairros populares, de São Paulo ao Rio de Janeiro, de Recife a Salvador, o metal bateu ritmado contra o metal, transformando sacadas em trincheiras urbanas contra a tentativa desesperada de normalizar um projeto político que destruiu lares e zombou da vida. De milhares de vidas.