Jair Bolsonaro (PL) chegou à Presidência em 2019 prometendo endurecer o combate ao crime, ampliar o acesso a armas de fogo e dar mais respaldo jurídico aos policiais. Ao fim de seu mandato, em 2022, porém, o balanço da segurança pública mostrou uma gestão marcada pela flexibilização das regras para armamentos e por medidas de caráter punitivo, sem avanços estruturais proporcionais à importância que o tema ocupava no discurso do ex-presidente.
Análises do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e de especialistas apontaram falta de continuidade em programas de prevenção, baixa prioridade orçamentária e ausência de uma política nacional consistente de enfrentamento à violência.
Entre as principais medidas do período estiveram o Pacote Anticrime, sancionado em 2019, e a Lei nº 13.886, do mesmo ano, que facilitou a alienação de bens apreendidos do tráfico de drogas. Também foram ampliadas, por meio de decretos e portarias, as possibilidades de compra e registro de armas por civis e integrantes da categoria de colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs). E só.
Apesar dessas iniciativas, propostas defendidas por Bolsonaro, como a ampliação do chamado excludente de ilicitude para agentes de segurança, não foram aprovadas nos moldes pretendidos pelo Executivo. O governo tampouco inaugurou uma nova penitenciária federal construída integralmente durante o mandato.
O governo Bolsonaro divulgou investimentos de R$ 5,4 bilhões em segurança pública entre 2019 e 2021, destinados, entre outras finalidades, à compra de equipamentos, viaturas e armamentos, além do custeio de operações e ações de inteligência.