
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) mandou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) desistir de disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições deste ano, afirmou o jornalista Claudio Dantas nesta quinta-feira (02), durante o programa ALive.
Dantas disse que o casal teve uma discussão “que foi ouvida por muita gente”, inclusive por policiais responsáveis pelo monitoramento da residência. A crise teria começado após um vídeo em que Michelle fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na discussão, Bolsonaro teria se irritado com a mulher e dito: “Você quer que eu fique mais 27 anos preso?”. A frase foi relatada por Dantas ao tratar da tentativa do ex-presidente de conter os efeitos políticos do embate familiar.
Decisão foi comunicada ao comando do PL
Michelle aceitou a ordem para não concorrer ao Senado e comunicou a decisão ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O dirigente pediu que ela refletisse com calma até o prazo de registro de candidatura.
Em uma reunião realizada dois dias antes, Valdemar havia concordado apenas com a saída de Michelle do comando do PL Mulher. A desistência da disputa majoritária no Distrito Federal não fazia parte do acordo relatado pelo jornalista.
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e a senadora Damares Alves também tentaram demover Michelle da ideia de abandonar a candidatura. As aliadas esperam manter o projeto eleitoral, embora Bolsonaro avalie que não há mais clima político para isso.
Dantas afirmou que aliados veem risco de a candidatura de Michelle virar instrumento de desgaste contra Flávio. “Há uma percepção de que, se ela mantiver a candidatura ao Senado aqui pelo Distrito Federal, ela será usada para bater no Flávio”, disse.
O jornalista acrescentou que esse cenário também prejudicaria a própria ex-primeira-dama: “Isso é ruim, inclusive, para ela, porque cada vez ela vai ficar menor. Cada vez que questionarem ela sobre isso, será um desgaste para Flávio e para a própria Michelle”. Ele concluiu que “muito provavelmente” não haverá candidatura de Michelle ao Senado em 2026 e afirmou que Bolsonaro está “muito atento aos traidores” e “não está morto”.