
Michelle Bolsonaro virou alvo de uma nova onda de ataques de bolsonaristas após elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, lançada pelo Ministério da Educação no governo Lula. A ex-primeira-dama publicou uma mensagem parabenizando a comunidade surda pela iniciativa e chamou a medida de “sonho realizado”.
A publicação foi lida por setores da direita como um aceno ao governo Lula, em meio à crise aberta entre Michelle e Flávio Bolsonaro. Nas redes, bolsonaristas passaram a usar o sobrenome de solteira da ex-primeira-dama, chamando-a de “Michelle Firmo”, em uma tentativa de dissociá-la da família Bolsonaro.
Michelle não citou Lula diretamente no texto. A postagem celebrava a política voltada à educação bilíngue de surdos e dizia que a modalidade traz “mais autonomia e protagonismo” à comunidade surda. “Seguimos trabalhando por um Brasil mais acessível e com oportunidades para todos”, escreveu.
A reação veio de perfis influentes da direita. Publicações passaram a acusar Michelle de dividir o campo bolsonarista, enfraquecer a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e dar munição a adversários. Também circularam montagens associando a ex-primeira-dama ao PT e frases como “traidora”.

O movimento aprofunda a crise iniciada depois que Michelle publicou vídeos relatando ter levado uma “punhalada” e expondo o atrito com Flávio. O senador pediu desculpas publicamente, mas aliados do PL seguem divididos entre os que defendem a ex-primeira-dama e os que veem sua postura como risco para a campanha presidencial do enteado.
A CNN informou que deputados, senadores e figuras do PL passaram a compartilhar em grupos de WhatsApp uma figurinha de Michelle com uma camisa do PT. Segundo a emissora, militantes bolsonaristas também divulgaram reportagens sobre o elogio ao programa do MEC acompanhadas de ataques contra ela.
O episódio ocorre depois de levantamento da Ativaweb DataLab mostrar que Michelle havia ganhado força nas redes após o vídeo contra Flávio, mas passou a sofrer uma reação negativa puxada majoritariamente por perfis masculinos. Agora, os ataques avançam para uma tentativa simbólica de retirar dela o sobrenome Bolsonaro, embora Michelle siga casada com Jair Bolsonaro e mantenha o nome político pelo qual se tornou conhecida.
Veja algumas das publicações:

